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Empresa de tokenização RWA no Dubai: licença

Empresa de tokenização RWA no Dubai: licença com as 10 atividades non-security em RAK DAO — do agro e dos metais preciosos à propriedade intelectual.

Marina Ramirez Lorca
por Marina Ramirez Lorca Fundadora e diretora-geral da LorcaBase

Publicado em
6 min de leitura

A tokenização de ativos reais (RWA) é a aplicação de blockchain que mais interesse institucional concentra — e a mais delicada de licenciar, porque a linha entre o registo digital e o produto de investimento é fina e cara de cruzar. A listagem oficial resolve-a com uma abordagem pouco habitual: em vez de uma atividade genérica, publica dez fichas de tokenização, uma por classe de ativo, todas com a mesma arquitetura — tokens de registo, utilidade e RWA expressamente non-security.

As dez pertencem à listagem oficial de RAK DAO / Innovation City, a free zone de Ras Al Khaimah especializada em ativos digitais e Web3, e partilham classificação de risco alto e o mesmo custo adicional. Este guia ordena-as por classe de ativo, explica o que permite cada uma — e o limite comum que nenhuma cruza — e fecha com a fiscalidade e os passos.

As dez atividades: mapa geral

CódigoAtividadeClasse de ativo
S-1926RWA Tokenization – AgriProdutos agrícolas
S-1930RWA Tokenization – Environmental AssetsCréditos de carbono e ativos ambientais
S-1923RWA Tokenization – Collectibles & LuxuryArte, colecionáveis, antiguidades e luxo
S-1924RWA Tokenization – CommoditiesMatérias-primas
S-1931RWA Tokenization – Machinery & EquipmentMaquinaria e equipamentos
S-1935RWA Tokenization – Medical AssetsAtivos e produtos médicos
S-1933RWA Tokenization – Music RightsLicenças musicais
S-1927RWA Tokenization – IP & LicensingPatentes, royalties, marcas e propriedade intelectual
S-1925RWA Tokenization – Precious Metals & StonesMetais e pedras preciosas
S-1928RWA Tokenization – Movables & TransportVeículos, iates, barcos e aeronaves

A ficha económica é idêntica nas dez: risco alto e 193.399 AED de custo adicional por atividade sobre a licença — o valor mais alto da listagem, a confirmar com a autoridade antes de orçamentar. A mensagem do regulador é coerente: tokenizar ativos reais é a atividade de maior escrutínio do catálogo, mesmo na sua versão non-security.

As atividades por famílias

Cadeia de abastecimento e rastreabilidade

A ficha agro (S-1926) emite tokens de utilidade, registo e RWA para a rastreabilidade farm-to-fork — cultivo, lote, origem, qualidade, cadeia de frio — e certificações, sem funções de trading nem investimento. A de matérias-primas (S-1924) cria tokens de registo que refletem recibos de armazém e lotes de inventário para o seguimento e a reconciliação da cadeia de abastecimento — tokens de referência e fluxo de trabalho. E a de ativos médicos (S-1935) tokeniza dispositivos e lotes farmacêuticos com UDI, lote e validade, mais a cadeia de frio, para a proveniência e a gestão de retiradas do mercado.

Ativos físicos de valor

A ficha de colecionáveis e luxo (S-1923) emite NFTs de autenticidade e referência de propriedade para obras de arte, colecionáveis e artigos de luxo — números de série, proveniência, cadeia de custódia — sem direitos de investimento nem fracionados. A de metais e pedras preciosas (S-1925) cunha tokens de registo que referenciam lingotes e gemas — série, ensaiador, certificado — para a proveniência e a custódia, com a advertência escrita: os tokens não são direitos sobre o metal nem sobre o seu valor. A de maquinaria (S-1931) cunha asset passports para equipamentos com número de série — referência de propriedade, manutenção, garantias, fluxos de transferência. E a de bens móveis e transporte (S-1928) referencia ativos matriculados — VIN, IMO, matrícula aérea — para históricos de manutenção, anotações de ónus e rasto de custódia, com o seu limite explícito: os tokens são informativos, sem transferência de título legal on-chain.

Direitos, intangíveis e registos ambientais

A ficha de direitos musicais (S-1933) tokeniza os metadados de licenças — ISRC, ISWC, território, prazo — para o seguimento de usos e o controlo de acesso, com pagamentos automatizados opcionais através de PSPs licenciados. A de propriedade intelectual (S-1927) faz o mesmo com registos de PI e direitos de licença — controlo de acesso, atribuição, seguimento de uso — com encaminhamento de royalties igualmente via PSPs autorizados. E a de ativos ambientais (S-1930) publica dados de projetos e impacto e atestações de retirada on-chain, integrando-se com os registos reconhecidos do setor — os tokens são provas e anotações, não instrumentos negociáveis.

O limite comum: registo sim, investimento não

As dez fichas repetem a mesma arquitetura legal com palavras distintas, e convém lê-la como o que é — o contrato da licença. O token documenta: proveniência, autenticidade, custódia, uso, impacto. O token não é o ativo, não dá direitos económicos sobre ele, não se fraciona para investidores, não é cotado e não transfere título legal. Os pagamentos, quando os há, passam por um PSP licenciado — nunca pela plataforma. Cruzar qualquer uma dessas linhas converte o registo num valor mobiliário e ativa o regulador correspondente; daí o risco alto e o preço de entrada. A ficha genérica de plataforma de tokenização — e o resto do mapa de ativos digitais — estão nos guias da empresa de blockchain e ativos digitais e da empresa Web3.

Fiscalidade da empresa

O esquema é o de qualquer empresa tecnológica nos Emirados. No IVA, os serviços a clientes locais tributam a 5% e a prestação a clientes fora do país pode acolher-se à taxa de 0% cumprindo as condições do regulamento — o caso natural da plataforma que tokeniza para o exportador de café, a editora discográfica ou a companhia de navegação internacional. O registo de IVA é obrigatório ao ultrapassar 375.000 AED de faturação tributável anual. Nos lucros, Corporate Tax de 9% acima de 375.000 AED. Para uma plataforma com receitas de cunhagem, subscrições e integrações, a contabilidade que classifica cada fluxo desde a primeira fatura evita o problema onde ele costuma nascer.

Passos para montar a empresa

  1. Atividade e classe de ativo: escolher a ficha — ou fichas — que correspondem aos ativos que realmente vai tokenizar; cada classe tem o seu código próprio.
  2. Estrutura: sociedade na free zone com a atividade incorporada — 193.399 AED adicionais por ficha, a confirmar com a autoridade.
  3. Dossiê: KYC dos sócios e descrição do modelo — com risco alto, a explicação de por que o token é registo e não valor mobiliário será o coração do dossiê, junto com o papel do PSP licenciado se houver pagamentos.
  4. Constituição e espaço, desde posto flexível até escritório, segundo a equipa.
  5. Vistos para o fundador e a equipa técnica.
  6. IVA e contabilidade desde o arranque, com a classificação 5%/0% definida antes da primeira fatura.

Conclusão

O bloco de tokenização RWA é a resposta mais séria da listagem à pergunta mais cara do setor: como licenciar o registo digital de ativos reais sem abrir a porta do produto de investimento. A resposta — dez fichas por classe de ativo, todas non-security, todas de risco alto, todas ao mesmo preço — desenha um perímetro exigente mas nítido: documente tudo, não prometa nada, e deixe o dinheiro aos PSPs licenciados. Para a plataforma que vai tokenizar o armazém, o catálogo musical ou a frota, esse perímetro não é um obstáculo: é exatamente o argumento de venda perante os seus clientes — um registo com licença, numa jurisdição que o levou a sério antes de quase todos.

Referências

Fontes e referências

Referências utilizadas para contextualizar esta página e os seus dados principais.

RAK DAO / Innovation City: portal oficial

https://innovationcity.com/

Federal Tax Authority: VAT

https://tax.gov.ae/en/taxes/vat.aspx

Federal Decree-Law No. 47 of 2022 on Corporate Tax

https://mof.gov.ae/wp-content/uploads/2022/12/Federal-Decree-Law-No.-47-of-2022-EN.pdf

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FAQ

Perguntas frequentes

Que atividades de tokenização RWA recolhe a listagem?
Dez, cada uma com o seu código e a sua classe de ativo: agro (S-1926), ativos ambientais (S-1930), colecionáveis e luxo (S-1923), matérias-primas (S-1924), maquinaria (S-1931), ativos médicos (S-1935), direitos musicais (S-1933), propriedade intelectual (S-1927), metais e pedras preciosas (S-1925) e bens móveis e transporte (S-1928). Todas non-security, com classificação de risco alta e o mesmo custo adicional.
Os tokens que emito podem funcionar como investimento?
Não: as dez fichas são expressamente non-security. Os tokens são registos, certificados e provas — rastreabilidade, proveniência, atestações — sem funções de trading nem investimento, sem direitos fracionados e, no caso de metais ou veículos, sem serem direitos sobre o ativo nem transferirem título legal on-chain. Se o token der direitos económicos, muda o quadro e entra o regulador de valores.
Posso automatizar pagamentos de royalties ou licenças musicais?
As fichas de direitos musicais (S-1933) e de propriedade intelectual (S-1927) contemplam o encaminhamento automatizado de pagamentos e royalties como opção, mas sempre através de prestadores de serviços de pagamento (PSPs) licenciados. A empresa tokeniza os metadados e controla o acesso; o dinheiro move-o um PSP autorizado, não a plataforma.
Quanto custa acrescentar estas atividades à licença?
As dez partilham a ficha económica: classificação de risco alta e um custo adicional de 193.399 AED por atividade sobre a licença da free zone — o valor mais alto da listagem, coerente com o escrutínio do setor. Como qualquer tarifa publicada, convém confirmá-la com a autoridade antes de orçamentar.
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