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Abrir empresa no Dubai: guia de passos, prazos e licença

Abrir empresa no Dubai, passo a passo: tipos de empresa e licença, processo 100% remoto, quando é preciso viajar, prazos reais, custos e fiscalidade de 9%.

Marina Ramirez Lorca
por Marina Ramirez Lorca Fundadora e diretora-geral da LorcaBase

Publicado em
6 min de leitura

Abrir uma empresa no Dubai é mais simples do que a sua reputação sugere — e com mais nuances do que o marketing promete. A parte fácil é real: a constituição é um processo 100% remoto, a licença é emitida numa questão de dias e a propriedade estrangeira é de 100%, sem sócio local. As nuances também: há um momento em que convém mesmo viajar, a conta bancária não está garantida para ninguém e escolher mal o tipo de empresa paga-se depois.

Este guia percorre o processo completo com a atividade e a licença como fio condutor: que tipos de empresa existem, os passos um a um, o que se pode fazer a partir de fora do país e quando é preciso entrar, os prazos reais, os custos com tarifas oficiais de 2026 e a fiscalidade. Para contratar o processo com acompanhamento completo, a página de serviço é abrir empresa no Dubai; esta é a versão informacional.

Os tipos: free zone, mainland ou offshore

A primeira decisão não é o nome da empresa — é a sua estrutura, porque determina a quem pode vender, quanto custa e o que exige:

Sobre essa base escolhem-se a atividade oficial da listagem da jurisdição — que define o que a empresa pode fazer — e o tipo de licença (serviços, comercial, industrial). A combinação estrutura + atividade é 80% do desenho; o resto do processo é execução. Para comparar emirados e jurisdições, o guia geral de onde constituir nos Emirados dá o mapa completo.

Os passos, um a um

  1. Estrutura e atividade: escolher a zona (ou mainland), a atividade oficial da listagem e o tipo de licença, com o modelo de negócio real sobre a mesa.
  2. Pedido e KYC: passaportes dos sócios, formulário da zona e descrição do negócio. Não exige presença.
  3. Emissão da licença: em free zones como a IFZA, em 3 a 5 dias úteis. A empresa já existe.
  4. Establishment card (cartão de estabelecimento): o documento que permite à empresa patrocinar vistos de residência.
  5. Vistos de residência para o fundador e os empregados: autorização de entrada, mudança de estatuto se já estiver nos EAU, exame médico, biometria do Emirates ID e formalização do visto — é aqui que o processo toca solo emiratense.
  6. Conta bancária, tramitada em paralelo: dossiê de compliance, apresentação a bancos que encaixem no perfil e, se a banca tradicional demorar, alternativas fintech.

Desde o primeiro dia convém deixar montadas a contabilidade e, quando a faturação o pedir, o registo de IVA — o fecho fiscal decide-se na primeira fatura, não na última.

A partir de fora do país: o que é remoto e quando entrar

A pergunta mais repetida tem resposta limpa: a empresa constitui-se sem pisar os EAU. Escolha da estrutura, pedido, licença e establishment card são trâmites remotos. O que não é remoto é a residência: o exame médico e a biometria do Emirates ID fazem-se fisicamente no país, e essa é a entrada que há que planear.

O momento ótimo para viajar é quando a autorização de entrada já está emitida: entra-se com ela, faz-se o exame médico e a biometria, e o visto formaliza-se — 1 a 3 semanas de processo no total. Se já estiver dentro dos EAU com outro estatuto (turista, por exemplo), a mudança de estatuto permite completar a residência sem sair do país. E se a empresa não precisar de vistos — um veículo que fatura serviços sem residência do fundador —, o processo inteiro pode fechar-se em remoto, com uma nuance: a banca valoriza a residência, e uma estrutura totalmente remota pode precisar de mais tempo ou de alternativas fintech para a conta.

A partir de Portugal, o processo encaixa especialmente bem. A constituição completa gere-se em remoto e quase no seu fuso horário — o Dubai está 4 horas à frente de Lisboa no inverno e 3 no verão —, com voos diretos Lisboa–Dubai para a viagem da residência, que pode resolver-se numa única visita bem planeada. A documentação de partida é mínima — passaporte válido dos sócios — e todo o processo pode ser conduzido em português. O ponto que exige mesmo desenho é o fiscal: enquanto continuar a ser residente fiscal em Portugal, tributa aí pelo seu rendimento mundial, pelo que o esquema emiratense produz todo o seu efeito quando a mudança é real e comprovável — não quando só a empresa o é.

Prazos reais

Custos com tarifas oficiais de 2026

Em taxas governamentais do primeiro ano, dentro do Dubai:

ZonaSem vistosCom 1 visto
Meydan FZ12.520 AED (IVA incl.)22.620 AED
IFZA · Silicon Oasis12.900 AED18.000 AED
DMCC · JLT (premium)50.985 AED54.938 AED

Fora do emirado, a RAKEZ (Ras Al Khaimah) parte de 6.000 AED com tudo incluído — a via de entrada mais barata quando a empresa não precisa de estar no próprio Dubai. Rubricas que convém conhecer: o exame médico + Emirates ID (~900 AED por visto), o establishment card (2.200 AED na IFZA) e as renovações anuais a partir do segundo ano (IFZA desde 12.900 AED; DMCC, tarifa fixa de 38.910 AED). Os honorários profissionais de qualquer prestador sério orçamentam-se sempre à parte das taxas — é a prova dos nove do setor.

Fiscalidade: o que se paga de verdade

O pacote fiscal é o argumento silencioso de tudo o que precede. Nos lucros, Corporate Tax de 9% apenas acima de 375.000 AED — abaixo, 0% — e sem imposto sobre o rendimento pessoal sobre salários nem dividendos. No IVA, taxa geral de 5% com registo obrigatório ao ultrapassar 375.000 AED de faturação tributável anual, e taxa de 0% possível na exportação de serviços cumprindo as condições do regulamento. E uma nuance que importa a quem opera a partir de fora: para que este esquema lhe sirva perante o seu país de origem, precisa de residência fiscal real nos EAU, com presença comprovável — a empresa abre-se em remoto; a residência fiscal, não.

Conclusão

Abrir empresa no Dubai é um processo de três semanas com duas decisões que valem mais do que todos os trâmites juntos: a estrutura correta — free zone, mainland ou offshore — e a atividade oficial que descreve o que realmente faz, porque delas dependem a licença, os custos e a quem pode faturar. O resto tem guião conhecido: licença em dias e em remoto, uma viagem bem colocada no calendário para a residência, banca com dossiê sério e contabilidade desde a primeira fatura. Quem respeita essa ordem abre a empresa uma vez; quem improvisa abre-a duas.

Referências

Fontes e referências

Referências utilizadas para contextualizar esta página e os seus dados principais.

u.ae — The United Arab Emirates' Government portal

https://u.ae/

Federal Tax Authority: VAT

https://tax.gov.ae/en/taxes/vat.aspx

Federal Decree-Law No. 47 of 2022 on Corporate Tax

https://mof.gov.ae/wp-content/uploads/2022/12/Federal-Decree-Law-No.-47-of-2022-EN.pdf

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FAQ

Perguntas frequentes

Posso abrir a empresa sem viajar para o Dubai?
A constituição sim: escolher a estrutura e a atividade, apresentar o pedido e emitir a licença é um processo 100% remoto nas free zones. Viajar torna-se necessário para a residência — o exame médico e a biometria do Emirates ID fazem-se no país — e alguns bancos pedem presença para abrir a conta. Empresa sem visto: sem viagem; empresa com residência: pelo menos uma viagem.
Quanto tempo demora abrir a empresa?
A licença costuma ser emitida em 3 a 5 dias úteis em free zones como a IFZA. O visto de residência — autorização de entrada, exame médico, Emirates ID e formalização — acrescenta 1 a 3 semanas, e a conta bancária tramita-se em paralelo (de dias a várias semanas, consoante o perfil). Do princípio ao fim, o caso típico completo ronda as três semanas.
Quanto custa abrir a empresa?
Em taxas governamentais do primeiro ano (tarifas oficiais de 2026): desde 12.520 AED na Meydan FZ (IVA incluído) ou 12.900 AED na IFZA sem vistos (18.000 AED com um visto de fundador), até 50.985 AED na DMCC, a jurisdição premium. Fora do emirado, a RAKEZ (Ras Al Khaimah) parte de 6.000 AED com tudo incluído. Os honorários profissionais vão sempre à parte.
Free zone ou mainland: qual me convém?
A free zone é a opção habitual para consultoria, serviços digitais e comércio internacional: 100% de propriedade estrangeira, menor custo inicial e o flexi desk cumpre o requisito de sede. O mainland (território continental) é necessário quando vende ao mercado local dos EAU, precisa de instalações físicas ou concorre a contratos públicos.
Que impostos pagam a empresa e o seu dono?
Imposto sobre as sociedades de 9% apenas sobre os lucros que ultrapassem 375.000 AED — abaixo, 0% —, sem imposto sobre o rendimento pessoal sobre salários nem dividendos. O IVA é de 5%, com registo obrigatório ao ultrapassar 375.000 AED de faturação tributável anual e taxa de 0% possível na exportação de serviços cumprindo as condições do regulamento.
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